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quarta-feira, 11 de maio de 2011

VAI TER QUE SUAR

Não pense que vai ser fácil...
Você pode até conseguir, mas vai ter trabalho. Não vou dar moleza. Não vou abaixar minha guarda. Não mudar meu jeito. Não vou nada para lhe agradar, a não ser que você mereça e se merecer terá tudo de mim. Não sou do tipo de mulher à toa. Não gosto de balada. Não gosto de gente que ri à toa, de gente que grita. Gosto de vozes baixas, quase sussurrando.
Não pense que vai me ganhar com elogios, com palavras ditas para todas as mulheres ao mesmo tempo. Como quer me conquistar se nem ao menos se deu ao desfrute de ler meu perfil. Fica dizendo que sou linda, que sou maravilhosa e nem sequer sabe minha idade, não sabe onde moro o que faço.
Sou mulher não quero convidar, quero ser convidada. Não sou água, sou fogo. Eu queimo. Sou rosa cheia de espinho. Cão raivoso. Víbora venenosa. Não me iludo. Não me deixo seduzir. Não me importo com idade, me importo com atitude, com força na medida certa. Não sou anjo, nem sou princesa. Prefiro ser chamada de "Fiona".
Não pense que vai chegar e me levar pra minha cama. O único corpo que cada nela é o meu.
Sou mau humorada, direta, franca, gênio forte, de personalidade. Apenas um homem me escravizou, me fez chorar. Apenas um homem rasgou e maltratou meu coração e agora nenhum mais. Nenhum mais me enganará, nenhum mais fará de mim, submissa. Não acredito mais.
Não vou fazer o menor esforço para agradar. Não mover um dedo. Não vou dar um passo em nenhuma direção. Você quer, vai ter que usar toda sua criatividade, bom senso, bom humor, toda sua elegância, charme, vai ter que usar toda sua inspiração, transpiração. Faça e me terá do seu lado. Faça e serei eu sua amante, amiga, mulher, cúmplice... Você pode desisitir, ainda é tempo. Você pode procurar alguém que lhe dê maiores condições. Eu apenas preciso ter a certeza de quem é você, do que realmente quer e do que é capaz de fazer. Não sou uma deusa. Não me julgo a melhor, a mais bela de todas. Sou apenas uma mulher que sabe o que quer e saiba que estou vestida de solidão e se eu morrer sozinha, morrei feliz...

SOU AZEDA, INSALUBRE

Sou a maldita, a fera...
Não vergo, não me dobro...
Sou a noite sem lua...
Sou madrugada fria...
Sou brisa...
Sou do silêncio...
Me vesto de solidão...
Sou mulher...
Sou amarga, azeda, insalubre...
Arranho, uivo, mordo...
Não arrisco...
Não vou...
Não saio...
Não tenho medo...
Conheço os olhares, as palavras...
Sou a maldita, a preferida...
Sou amarga, azeda, o sonho, o pesadelo...
A distância, a saudade, o bem querer...
Sou a morte, a dor, o vestígio...
O invísivel...
O beijo que se quer...
O fel...
A língua...
Sou ousadia... Quietude...
Sou esquina...
Sou pomba-gira...
Me embriago com veneno...
Não morro
porque já morri...

VILA MADALENA

Ontem, depois de ter ficado a esmo na internet, sai e fui para Vila Madalena. Fiquei lá, no bar de minha preferência... Bebi uma garrafa de vinho e fui fazer o que mais gosto que é pegar a estrada de madrugada... Parece que meu carro já sabe o caminho e o caseiro parece que sempre está me esperando. Ele sabe que gosto de chegar sempre de madrugada e não se assusta mais. Cheguei em Bertioga passavam das duas e meia. A casa estava fria. Eu estava com frio... Fiquei na sala me consumindo por todos os pensamentos que quem e vão... Estar ali me fazia bem... A dor fazia com que me sentisse viva... Fiquei enrolada no cobertor olhando o mar... Como pude ser tão tola... Como puder acreditar por tanto tempo em alguém. Eu estava cega, surda, louca... Meus pais morreram com esse desgosto... Lembro da última conversa com meu pai... Das minhas últimas palavras... Não tive tempo de pedir perdão. Minha mãe morreu segurando em minhas mãos. Sua boca estava seca. Ela olhou em meus olhos e disse: - Eu perdoou você.
Depois disso, percebi que eu não tinha mais ninguém para me defender. Depois disso percebi que agora eu tinha que tomar minhas próprias decisões. Eu não queria lapidar o que meu pai havia me deixado. Eu sabia que se continuasse com ele, era isso que ia acontecer. Então, procurei o advogado da família e entrei com o processo de separação. Ia ser um processo longo. Ele iria querer parte dos bens que meu pai havia deixado... Ele não ia ficar com nada... Nem que para isso eu tivesse que me desfazer de tudo...
Aquele silêncio me engolia... Pude ver o dia clareando... Eu estava sem pregar os olhos a mais de dois dias... Tinha reunião de negócios... Precisava estar bem... Mesmo tempo uma equipe competente eu estava na frente dos negócios. A empresa era minha. Fui tomar um banho. Despedi-me do caseiro e voltei pra São Paulo...

INDO

Não me venha falar de amor... Não me venha com palavras desconexas, sem sentido... Não terás mais do que meu desprezo... Detestos esses hipocritas que falam em nome do amor... Detesto esse mundo xulo... Esse mundo doente... Cada vez me fecho mais... Cada vez me isolo mais... Estou com vontade de sair desse lugar... Ir para outro lugar mais distante. Onde não me conheçam, onde não falem meu idioma. Estou cheia desses homens que não não pensam... Dessas mulheres vulgares que fizeram de sua alma o templo de coisas à toa. Detesto essas pessoas que falam em nome de Deus, essas pessoas que vivem em tribos, em bandos, mascarando sentimentos. Detesto esses homens que precisam beber para criar coragem. Detesto a violêncio, gritos, badernas, baladas, cerveja, drogas... Detesto que não não olha nos olhos, detesto que só que se ver pela webcam...
Vou embora daqui.
Vou pra bem longe.
Vou abandonar o computador, o celular, iphone, ipad, mp3, 4, 5,6... Vou comprar uma máquina de datilografar. Vou me fechar...
Estou fazendo uma pesquisa. Uma cidade na Grécia chamada Lamia na Grécia Central. Uma cidade que é minha cara. Vou buscar mais informações. Estou precisando mesmo de férias. Depois de tudo. Não adianta eu insistir e ficar aqui, buscando. Posso deixar a Jéssica morando em minha casa até eu voltar. Não preciso me preocupar com nada. Posso ir tranquila. Passar uns três meses...
Estou de saco cheio de tudo isso...
Preciso dar um tempo... Esquecer tudo e voltar...

PRECIOSO DEMAIS

Não perca seu tempo com sonhos impossíveis.
Eu não perco mais, meu tempo sonhando acordada. Eu não fico mais parada, esperando que aconteça. Aprendi com meu pai, que atitude é tudo. Sonhar apenas não basta.
Sei qual é minha realidade, minhas verdades, conheço meus limites, minhas limitações. Nunca vivi de promessas. Ainda creio no amor. No amor possível. Amor real. Amor que não machuca. Amor que não quer o mal... Sei o quanto dói a rejeição... Sei como é chato ouvir um não... Eu ouço não todos os dias. Eu mesmo digo não para meus sonhos irreais.
Não perca seu tempo com conversas que não levam a lugar nenhum. Seja coerente nas suas palavras, nos seus pensamentos. Não se iluda. Não se perca.
Em algumas situações é melhor ter um pouco, do que não ter nada...

NÃO ALIMENTO

Não sou má.
Sou sincera.
Ontem assistindo um filme com Robert de Niro e Al Pacino, li uma frase que Robert de Niro que disse:
- Não se apague a nada que você não posso abandonar quando precisar.
É isso. Não prometo nada a ninguém. Não crio expectativa. Não faço promessas. Não pergunto. Não chamo ninguém. Fico observando. Deixando as palavras sairem. Elas nascem com uma agilidade fora do comum. Algumas agridem, outras são vazias. Eu não quero e não vou me apegar a ninguém e não quero que ninguém se iluda comigo. Tenho meus pés fincados no chão. Não me iludo com sonhos que não são meus. Vivo sozinha porque quero viver. Porque quero deixar que minha dor me consuma aos poucos. Não quero que ninguém me veja chorando. Não quero que me sintam fraca, insegura. Não quero depender de ninguém para me levantar. Quando precisei me deixaram só. Agora não quero ninguém. Tenho minha vida. Trabalho, me sustento. Vou para onde quiser, quando bem entender.
Não sou mimada. Já fui. Não enrolo. Quando não gosto digo. Não sou mal educada, muito pelo contrário. Educação é o que mais tenho. O que dá pra aceitar, é maneira grosseira que um homem trata uma mulher. Eu tenho direito de escolher com quem eu quero falar. Tenho o direito de me corresponder com quem eu quiser. Tenho direito de excluir quem eu bem entender, a hora que eu bem entender. Posso fazer isso aqui, apertar o delete e confirmar. Queria poder fazer isso fora daqui... Na realidade do dia a dia...

terça-feira, 19 de abril de 2011

A culpa é de quem...

Meu avô conheceu minha avó no mercado municipal. Minha bisavó e meu bisavô que eu não conheço, tinham uma banca de frutas. Eles namoraram casaram e mesmo meu avô não querendo que minha avó engravidasse, eis que surge a bem quista Roseli, minha tia. Tudo estava bem. Eis que minha avó engravida novamente e mesmo contra a vontade do meu avô, nasce Marina, minha mãe. Pelo que sei, nunca foi uma criança querida, sofrida desde o nascimento, foi criada a esmo, a Deus dará e deu. Deu uma cruz enorme e assim começou através de erros lá no passado bem remoto, o calvário de todos nós, filhos dos Santos. Minha mãe, Marina, conheceu meu pai, Ricardo, cinco anos mais velho que ela. Eis que minha mãe com apenas quatorze anos resolve casar com meu pai. Claro que para se livrar da cruz, meu avós aceitando a rebeldia de minha mãe consentiram. Deveriam ter dado uma surra, trancado-a num quarto a sete chaves. Minha mãe casou com um homem que não trabalhava, que bebia, que vinha de uma família desorganizada. Eu os conheci quando eu tinha vinte três anos, mas isso é uma outra história. Minha mãe casada, foram morar em uma casa que ficava nos fundos da casa da minha avó (materna). Pelo que me consta, uma mulher violenta e super protetora, mais tarde eu confirmei isso. Bem, minha mãe engravidou e deu a luz com quinze anos de idade, ao meu irmão João Carlos, que logo no nascimento, foi praticamente adotado como filhos, pelos meus avôs (maternos), pois julgavam que minha mãe não tinha condições de criá-lo, mas deixaram que ela casasse, sei... Depois de um tempo, não sei ao certo, nasceu meu segundo irmão Sergio e Deus o poupou desse calvário, carregou para o céu novamente. Depois heis que nasce Eduardo, eu, o filho do meio. Pelo que minha mãe conta, o filho que mais tempo, por infelicidade do destino, conviveu com o pai. Desde o nascimento, compartilhei com minha mãe a dor. Meu pai chegava em casa bêbado e agredia minha mãe. Não tínhamos luxo, nem conforto e meu avô Carlos, pai do meu pai, levava água com açúcar para que eu tomasse e pudesse dormir. Um ano se passou e nasce aquela que nos salvaria de todo esse martírio, minha irmã, Andréa. Como era a única neta, meus avôs maternos se compadeceram e tiraram minha mãe e eu do sacrifício e nos acolheram em sua casa na Avenida Bosque da Saúde. Esses relatos são fragmentos que colhi nas conversas com minha mãe, meu avô. Minha avó nunca falou sobre isso. Minha mãe foi trabalhar e minha avó Lourdes ficou encarregada de cuidar dos dois netos. Dois, porque meu irmão foi adotado como filho. Eu e minha irmã, netos. As lembranças que tenho dessa fase são ótimas. Todas as minhas boas lembranças trazem minha avô a memória. Da minha mãe consigo lembrar de quando comprou nossa primeira televisão branco e preto e que eu pude assistir o pica-pau. Outra coisa que me lembro era seu terrível mal humor. Lembro-me também que sempre muito apegado a ela. Fazia planos. Quando eu crescesse, ia comprar uma casa e cuidar da minha mãe até ela ficar velhinha. Eu esperava ela no ponto de ônibus quando ela chegava do trabalho, Eu a buscava com o guarda-chuva. Penteava seus cabelos, beijava seu rosto. Lembro-me também que acordava cedo e ia comprar pão e leite e deixava a mesa pronta para que todos tomassem café. Da minha avô, lembro de todas as noites perdidas comigo no pronto socorro quando me atacava a crise de bronquite. Saíamos de madrugada e ninguém nos via. Fazia inalação e voltávamos. Minha avó dormia comigo no sofá. Eu não podia dormir no quarto com meu irmão. Meu peito chiava muito e ele não conseguia dormir. Eu e minha avó dormíamos no sofá. Ela nos levava para a escola e nos buscava. Lembro que brincava e brigava muito com meu irmão, Quando num acidente cortei os pulsos, minha avó correu comigo para uma clínica. Sua blusa amarela se lavou de sangue e graças a ela e ao médico de plantão, não perdi os movimentos da mão direita. Eu era assim, terrível. Meu avô? Não se preocupe. Logo logo ele aparece. Meu irmão jogava bola. Ruim demais, corintiano, puxou o pai sem saber. Era e é até hoje a cópia mais fiel de dois seres humano. Minha irmã sempre a frágil, a doente, a debilitada. Spo sabia rir. Nós a chamávamos de risoleta. Eu era o endiabrado, o inquieto, o furacão branco. Eu sempre fui rueiro. Adorava ficar na rua com os amigos de infância. Brincávamos livres. Há no Bosque da Saúde, uma praça com um morro bem íngreme, gramado. Lá passávamos a tarde escorrendo em folha de papelão. Falávamos sobre meninas e no dia da festa de São Cosme, São Damião e Doum, esperávamos afoitos as oferendas de doces deixadas embaixo das árvores. Comiámos doces, bebíamos guaraná e voltamos felizes para casa. Na escola eu era um terror. Sempre vivo, sempre sorridente. Eu minha shorts jeans que minha avó fez, camisa de manga curta